Temos ciência. Temos tecnologia. Então, por que ainda falta impacto?

Produzir pesquisa científica de altíssimo nível é algo que a América Latina já sabe fazer. O verdadeiro gargalo, e a provocação que tem mobilizado especialistas em toda a região, está na etapa seguinte: como transformar essa ciência de fronteira em negócios sustentáveis e soluções reais para a sociedade?

Foi justamente para responder a essa pergunta que o Deep Tech Summit 2026 reuniu, entre os dias 11 e 12 de agosto, no Complexo Inova USP, em São Paulo, mais de 2.500 participantes, 70 palestrantes e cerca de 30 fundos de investimento. Promovido pela EMERGE Brasil sob o tema “Latam Deep Techs for Global Challenges”, o encontro se consolidou como o principal ponto de convergência latino-americano para conectar startups de base científica, investidores e grandes corporações.

Atento a esse movimento, o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ) esteve representado no evento por sua equipe de gestão, composta pelas coordenadoras Jucélia Lopes, Jaqueline Suzuki e Francylara Castro, além de sua Diretora Executiva, Professora Adriana Faria.

Da Bancada ao Negócio: A Distância que Precisamos Encurtar

Mais do que acompanhar as tendências do setor, o tecnoPARQ assumiu papel ativo nos debates sobre o futuro do ecossistema de inovação. A Professora Adriana Faria foi uma das palestrantes do painel “Construindo o Ecossistema de Inovação na América Latina: Universidades, Parques Tecnológicos e os Elos que Faltam”.

Ao lado de nomes como Ana Torkomian (Fortec), Ana Calçado (Wylinka) e Hideraldo Luiz de Almeida (MCTI), Adriana abordou a complexa travessia que uma deep tech precisa fazer desde o laboratório até o mercado.

“A América Latina tem competência científica de sobra, mas ainda peca na articulação entre os pontas do ecossistema. O papel do parque tecnológico é atuar como esse articulador estratégico.” — Professora Adriana Faria, Diretora Executiva do tecnoPARQ e Presidente da Anprotec em 2026.

A bagagem trazida pela diretora reflete não apenas a vivência em Viçosa, mas também sua atuação nacional à frente da Anprotec, entidade que reúne incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos de todo o país.

Casos Práticos: A Biotecnologia na Fronteira da Indústria

A presença de Viçosa no palco do Summit também se traduziu na prática com a participação de Ana Cláudia, representando a Recombine biotech uma das empresas residentes do tecnoPARQ. Ela participou do painel “Da bancada à indústria: acelerando a pesquisa, produção e licenciamento comercial em Biotecnologia”, realizado no palco Deep Tech Boosting.

O case da Empresa trouxe à tona os caminhos reais para superar os entraves do setor de biotecnologia, discutindo estratégias para encurtar a distância entre a validação científica nas bancadas universitárias, a aceleração da produção e o efetivo licenciamento comercial: um exemplo claro de como as soluções geradas dentro do tecnoPARQ já dialogam de igual para igual com o futuro do mercado industrial.

Muito Além da Teoria: Conectar para Viabilizar

Na prática, a participação do tecnoPARQ em agendas globais como o Deep Tech Summit responde a uma estratégia clara: posicionar o ecossistema regional no centro das grandes decisões de C&T.

Desafios globais, como transição energética, saúde, clima e soberania tecnológica, exigem mais do que boas ideias; demandam ecossistemas maduros, capazes de atrair capital de risco e escala industrial. Durante o evento, a equipe do tecnoPARQ participou de sessões de matchmaking e networking voltadas para a atração de parcerias e investimentos.

Com essa atuação, o tecnoPARQ reafirma sua missão fundamental: servir de ponte entre a universidade e a empresa, entre a pesquisa e o investimento. Afinal, produzir ciência é o primeiro passo incontornável — mas criar as conexões certas para fazê-la chegar à sociedade é o que de fato gera impacto socioeconômico.

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