Hackathon Acelera Café reúne ideias e soluções para desafios da cadeia do café

Desafios presentes em diferentes etapas da cadeia produtiva do café deram origem a nove propostas de soluções durante o Hackathon Acelera Café 2026, realizado entre os dias 25 e 27 de setembro, no tecnoPARQ, em Viçosa (MG). Ao longo de três dias, 59 participantes em nove equipes passaram por etapas de ideação, pesquisa em campo, desenvolvimento de protótipos, modelagem de negócios e apresentação das propostas. 

Realizado no âmbito do Hackathon Avança Café 2026, o evento foi promovido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), por meio do tecnoPARQ, unidade do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (CenTev), pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio dos Parques Tecnológicos dos Ipês (IpêTech) e teve parceria da Embrapa Café e do Consórcio Pesquisa Café. A iniciativa buscou estimular a inovação e o empreendedorismo aplicados à cadeia produtiva do café e aproximar academia, produtores, profissionais, empreendedores e integrantes do ecossistema de inovação. 

A proposta do Hackathon não se limitou à criação de ideias. Durante a programação, os participantes precisaram identificar problemas, verificar sua existência junto a pessoas relacionadas ao setor e, a partir das informações coletadas, desenvolver respostas que pudessem ser apresentadas como soluções . O processo percorreu desde a identificação e validação dos problemas até a construção de protótipos, modelagem de negócios e apresentação das propostas. 

 

Desafios partiram de diferentes etapas da produção de café

 

As equipes trabalharam a partir de sete categorias relacionadas à cadeia do café: Resiliência Climática e Diversidade Territorial; Pragas e Doenças; Dados; Mãos de Obra; Monitoramento; Perda Pós-Colheita; e Comércio. 

Os temas envolveram desde dificuldades enfrentadas no campo até questões relacionadas à gestão e comercialização. Entre os problemas estavam a necessidade de adaptar decisões agrícolas às diferentes condições climáticas e territoriais, identificar pragas e doenças com maior rapidez, transformar grandes volumes de dados em informações úteis para o produtor e lidar com dificuldades relacionadas à mão de obra e ao monitoramento das lavouras. 

Também fizeram parte dos desafios as perdas que podem ocorrer durante etapas como secagem, armazenamento e processamento e as dificuldades encontradas pelos produtores para acessar oportunidades de comercialização e transformar características como qualidade e origem em maior valor de café. 

Foi a partir desse conjunto de problemas que as noves desenvolveram propostas com diferentes abordagens tecnológicas e de gestão. 

 

Primeiro dia foi dedicado a formação das equipes e definição dos problemas

 

A jornada começou com o credenciamento e a abertura oficial do evento. Em seguida, os participantes foram organizados em equipes e iniciaram as atividades de desenvolvimento.

O primeiro workshop, realizado na noite de sexta-feira, foi dedicado ao brainstorming, com geração de alternativas e identificação de possíveis soluções para os desafios apresentados. Na sequência, o workshop de Validação da Dor orientou os grupos na compreensão e validação dos problemas identificados.

A etapa de validação foi importante para direcionar o trabalho dos grupos. Em vez de desenvolver imediatamente uma solução, os participantes precisaram estruturar suas hipóteses e se preparar para verificar, no dia seguinte, se os problemas percebidos correspondiam às necessidades encontradas no setor.

Equipes saíram a campo para validar os problemas

 

No sábado, a programação deixou o ambiente do tecnoPARQ e levou os participantes para a etapa de validação em campo.

A atividade “Bora pra Rua!” foi seguida pela validação da dor de mercado, na qual as equipes buscaram compreender diretamente as necessidades e dificuldades relacionadas aos problemas escolhidos.

Depois da coleta de informações, os grupos retornaram ao desenvolvimento das propostas. Durante a tarde, participaram de atividades voltadas à proposta de valor e modelagem de negócio, seguidas pelo desenvolvimento de protótipos e MVPs. À noite, o workshop de pitch preparou as equipes para apresentar as soluções desenvolvidas.

O processo permitiu que os participantes ajustassem suas ideias a partir das informações obtidas durante a validação, avançando da identificação de um problema para a construção de uma proposta de solução.

Nove soluções foram desenvolvidas durante o Hackathon

 

As propostas apresentadas no Demoday abordaram diferentes pontos da cadeia produtiva do café.

A equipe SECAFÉ, formada por Yago, Gabriel, Delvaux, Kawan, Washington e Maria Eduarda, desenvolveu um secador estático vertical para café, utilizando ar quente indireto e fluxo contínuo. A proposta busca realizar a secagem sem contato direto dos grãos com a fumaça e oferecer uma alternativa compacta e de baixo custo, com materiais simples e voltada à realidade de pequenos produtores.

Já a Coffee Metrics, composta por Dayane, Ana Beatriz, Hugo, Jardel, Elaine e Jenniffer, apresentou uma plataforma voltada à gestão e ao manejo da cafeicultura. A solução reúne informações sobre clima, solo, tratos culturais, custos, fitossanidade, produtividade e qualidade para gerar diagnósticos e relatórios sobre os talhões. A proposta também considera a possibilidade de funcionamento offline.

A Flowrada, formada por Italo, Emilly, Yumi, Milla, Gleycimara e Diogo, desenvolveu uma plataforma para aproximar produtores e compradores de café. Entre os recursos previstos estão um Diário da Safra com fotos e GPS, uma Calculadora de Preço Justo, uma Régua de Confiança e um Radar de Compra. A proposta busca ampliar os canais de comercialização e reduzir a dependência de intermediários.

A equipe LoteSense, composta por Ana Lara, João Luiz, Warlley, Alisson, Liz e Gabriel, apresentou uma solução de monitoramento do café durante o armazenamento. A proposta utiliza módulos de Internet das Coisas (IoT) instalados nas sacas para acompanhar indicadores como umidade e temperatura. A partir dessas informações, o sistema pode emitir alertas sobre condições que favoreçam o surgimento de mofo e a perda de qualidade.

A CoffeeCore, formada por Kaike, Cauan, Hidequel, Gleison, Felipe e Victor, trabalhou com a automação da classificação e separação dos grãos de café. O sistema proposto contempla alimentação, distribuição, inspeção e separação dos grãos de acordo com sua qualidade, com a intenção de reduzir a dependência da catação manual e oferecer uma alternativa modular em relação a equipamentos industriais de maior investimento.

A equipe Sinergia, composta por Eulalio, Saulo, Sayman, Natalia, Julia e Raglata, desenvolveu uma proposta de diagnóstico inteligente da biologia do solo. A solução utiliza análise microbiológica, metagenômica e inteligência de dados para transformar informações sobre o solo em recomendações aos produtores. A proposta também prevê um sistema de alerta antecipado de patógenos e a emissão de laudo técnico assinado por agrônomo.

A CAFIA, formada por Ray, Paula, Henrique, Jeferson, Rodrigo e Icaro, apresentou uma plataforma de gestão inteligente para o cafeicultor. O sistema reúne informações financeiras, estoque, lotes e alertas, além de recursos de inteligência artificial, com o objetivo de organizar a gestão da propriedade e apoiar a tomada de decisões.

A equipe Entresafra, composta por Luiz Eduardo, Nathan, Derick, João Victor, Caio e Joab, propôs uma plataforma para gestão e acompanhamento da assistência técnica na cafeicultura. A ferramenta busca conectar agrônomos, produtores e instituições, organizando históricos, orientações e retornos das visitas técnicas e permitindo acompanhar a execução das recomendações.

Por fim, a equipe AgroFluxo, formada por Nathan, Everton, Fabio, Alan, Otávio e Tiago, desenvolveu um assistente financeiro para cafeicultores integrado ao WhatsApp. A solução utiliza inteligência artificial e conexão com o banco por meio de Open Finance para identificar e categorizar gastos. O produtor também pode enviar informações por texto, áudio ou foto, sem precisar fazer os lançamentos manualmente.

Projetos foram avaliados durante o Demoday

 

No terceiro dia, as equipes participaram da atividade “Bora Vender!”, da pré-banca e do sprint final antes da apresentação oficial. O objetivo foi realizar os últimos ajustes nas propostas e preparar os projetos para o Demoday.

No Demoday, as nove equipes apresentaram suas soluções à banca avaliadora. A etapa marcou o encerramento do processo de desenvolvimento realizado durante os três dias do Hackathon.

SECAFÉ fica em primeiro lugar

 

Ao final das apresentações, a equipe SECAFÉ conquistou o primeiro lugar do Hackathon Acelera Café e recebeu R$ 2 mil em premiação. O segundo lugar ficou com a Sinergia, premiada com R$ 1 mil, enquanto a CAFIA conquistou a terceira colocação, com prêmio de R$ 500.

A classificação encerrou a jornada de três dias de desenvolvimento, que reuniu 59 participantes em torno de problemas relacionados a diferentes etapas da cadeia produtiva do café

Mais do que concentrar a atividade na competição final, o Hackathon colocou os participantes em contato com diferentes etapas de desenvolvimento de uma solução. Ao longo da programação, eles passaram por brainstorming, validação de problemas, pesquisa em campo, construção da proposta de valor, modelagem de negócios, prototipagem, MVP e pitch.

As nove propostas desenvolvidas apresentaram respostas para diferentes necessidades da cadeia do café, envolvendo secagem, manejo, comercialização, armazenamento, classificação de grãos, biologia do solo, gestão da propriedade, assistência técnica e gestão financeira. O conjunto de projetos evidencia a diversidade dos problemas trabalhados durante a maratona e a variedade de caminhos encontrados pelas equipes para enfrentá-los.

Ao encerrar a edição de 2026, o Hackathon Acelera Café reuniu participantes, instituições de ensino, setor produtivo e integrantes do ecossistema de inovação em uma experiência concentrada de desenvolvimento de soluções para a cafeicultura. As propostas apresentadas no Demoday encerraram a etapa competitiva do evento e passaram a representar os resultados construídos pelas equipes durante os três dias de imersão.

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