O ecossistema de inovação de Viçosa — Viçosatec — acaba de alcançar um importante reconhecimento nacional: a cidade está entre os três finalistas do Prêmio Nacional de Inovação, uma das mais relevantes premiações do país voltadas ao fortalecimento da ciência, tecnologia e empreendedorismo.
Viçosa concorre na categoria “Ecossistemas – Médio Porte”, que reconhece ambientes capazes de integrar universidades, empresas, governo e instituições de apoio para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social. Entre os finalistas da categoria, o ecossistema viçosense se destaca por ser o único representante da região Sudeste na disputa nacional.
A premiação é realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). O resultado final será anunciado na última semana de março, durante o Congresso de Inovação Industrial, em São Paulo.
Um ecossistema construído pela colaboração
O reconhecimento nacional reflete a capacidade de articulação do ecossistema de inovação local, formado por instituições como o tecnoPARQ, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Prefeitura de Viçosa, a Casa do Empresário, além de empresas, startups e demais entidades de apoio.
Esse modelo de cooperação segue o conceito de Hélice Tríplice, no qual universidade, governo e setor produtivo atuam de forma integrada para transformar pesquisas acadêmicas em soluções aplicadas ao mercado.
Nesse contexto, a UFV se consolida como um celeiro de conhecimento e pesquisa de ponta que, quando conectado ao tecnoPARQ, se transforma em negócios de grande impacto. O poder público contribui com políticas e incentivos para o ambiente de inovação, enquanto empresas e startups aplicam a ciência em produtos, serviços e tecnologias com impacto real na sociedade.
A presença entre os três melhores ecossistemas do país não acontece por acaso. O Viçosatec apresenta indicadores expressivos de geração de conhecimento, empreendedorismo tecnológico e impacto econômico.
Entre os destaques está a atuação do tecnoPARQ, que abriga programas voltados à formação de startups, incubação de empresas e aceleração de negócios inovadores. Apenas em 2025, o parque apoiou 75 startups em programas de aceleração e capacitou mais de 220 empreendedores.
O ecossistema também apresenta impacto relevante na economia regional. Empresas vinculadas ao tecnoPARQ geraram mais de 2 mil empregos em empresas residentes e mais de 500 postos em empresas graduadas, além de movimentarem centenas de milhões de reais em faturamento anual.
Outro marco recente que reforça a maturidade do ambiente foi o reconhecimento da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do tecnoPARQ, vinculada à UFV, eleita em 2025 como a melhor incubadora de empresas do Brasil pela Anprotec.
Além dos indicadores de empreendedorismo, o ecossistema viçosense tem produzido tecnologias com impacto nacional e internacional. Entre os exemplos estão startups de biotecnologia com soluções inéditas no mundo, tecnologias industriais utilizadas por grandes empresas brasileiras e plataformas digitais que apoiam a gestão pública em centenas de municípios.
Esses resultados são potencializados pela forte interação entre universidade e setor produtivo. O Núcleo de Inovação Tecnológica da UFV, por exemplo, firmou mais de 180 acordos de pesquisa e desenvolvimento entre 2024 e 2025, movimentando mais de R$ 30 milhões em projetos de inovação.
Reconhecimento nacional para o interior de Minas
A presença de Viçosa entre os finalistas do Prêmio Nacional de Inovação evidencia o papel do interior de Minas Gerais como um polo estratégico de geração de conhecimento, tecnologia e novos negócios.
Mais do que a disputa pelo troféu, a indicação já representa um reconhecimento importante ao trabalho coletivo de universidades, empresas, instituições e lideranças que constroem diariamente um ambiente favorável à inovação.
O resultado final será conhecido durante o Congresso de Inovação Industrial, no fim de março.